• Maria Luiza Valeriano

Veganismo: a dieta milagrosa e seus infortúnios

Atualizado: Mar 15

O veganismo realmente faz bem?



O veganismo ganha adeptos a cada ano e está longe de acabar. Cada vez mais pessoas se preocupam com o que está sendo colocado nos pratos, nos cabides e nos cosméticos. Marcas utilizam do selo vegano e livre de crueldade para alavancar produtos e atingir o mercado muito ativo. Segundo o IBOPE em 2018, 14% dos brasileiros são vegetarianos, ou seja, cortam todo tipo de carne da dieta, definição da Sociedade Brasileiros de Vegetarianismo. Esse número aumentou 75% em relação a 2012.


O veganismo é o próximo estágio, em que é excluído qualquer produto feito de ou testado em animais. Em pesquisa do IBOPE, estima-se que há 7 milhões de brasileiros adeptos ao estilo de vida. De 2012 a 2016, a pesquisa pela palavra “vegano” aumentou 1000%. Com tantos entrando na onda, a pergunta sobre os efeitos fisiológicos é levantada.


Pros


Menos doenças cardíacas


Pesquisa do Diário Britânico de Medicina aponta que a cada 1000 pessoas, veganos possuem 10 casos a menos de doenças cardíacas.


Pressão arterial mais baixa


A Doutora em Bioquímica Louise Goff aponta em sua pesquisa sobre os efeitos bioquímicos do veganismo que os participantes adeptos possuem pressão mais baixa.


O corpo não apresenta sedentarismo


As características de 21 veganos sedentários que seguiram uma dieta vegana crua ao longo prazo são comparáveis às dos praticantes de exercícios de resistência, com IMC (Índice de Massa Corporal), lipídios, lipoproteínas, glicose, insulina, Proteína C reativa, pressão arterial e espessura íntima-média da artéria carótida reduzidos quando comparada à 21 sujeitos sedentários seguindo uma dieta ocidental, aponta pesquisa realizada pela Escola de Medicina da Universidade de Washington.


Contras


Problemas cerebrais e de visão


Dietas que não possuem ovo, peixe ou algas faltam ácidos graxos n-3 de cadeia longa, ácido eicosapentaenóico (EPA; 20: 5n-3) e ácido docosahexaenóico (DHA; 22: 6n-3), responsáveis pela saúde cardiovascular, cerebral e ocular, defende pesquisa realizada pelo Diário de Nutrição da Universidade de Cambridge.


Deficiência de vitamina D


Em pesquisa realizada pela Oxford, veganos compõem o grupo com menos ingestão de vitamina D. Para repor, seria necessário o consumo de alimentos fortificados e exposição ao sol, o que poderia ser prejudicado caso o local não tenha acesso.


Risco de problemas psiquiátricos


Veganos aparentam deficiência de vitamina B-12, que pode produzir sintomas neurológicos e psiquiátricos anormais como ataxia, psicoses, parestesia, desorientação, demência, distúrbios do humor e motores e dificuldade de concentração, segundo pesquisa do Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.


Apesar de ter muitos benefícios, o estilo de vida apresenta perigos caso não seja realizado com cuidado e acompanhamento nutricional. Os efeitos do veganismo a longo prazo ainda estão sendo pesquisados.

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