• Maria Luiza Valeriano

Universidade Federal de Goiás desenvolve pesquisa sobre azeite de oliva e prevenção da osteoporose

O estudo aponta que o consumo do óleo é fator na prevenção da perda óssea


A atual dieta brasileira é conhecida por ser cheia de massas fritas, assadas e carnes gordurosas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, um em cada quatro adultos brasileiros pode ser classificado como obeso. A obesidade é diretamente ligada ao enfraquecimento ósseo, apontado por estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard. Diante disso, uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), mostra que o consumo de azeite de oliva atua na prevenção de doenças ósseas.


A obesidade vem sendo motivo de preocupação na última década, apontada pela Organização Mundial da Saúde como um dos maiores problemas de saúde do mundo. A projeção é de que cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso até 2025. A gordura excessiva presente nos ossos causa enfraquecimento nesse grupo, como osteopenia e osteoporose. Além disso, essas doenças também atingem idosos e causam facilidade de fratura. De acordo com a Federação Internacional da Osteoporose, a osteoporose causa 8,9 milhões de fraturas anualmente no mundo.


As professoras Erika Aparecida Silveira (UFG), Camila Kellen de Souza Cardoso (PUC-GO), assim como mestrandos e doutorandos foram responsáveis pelo estudo em que aponta que a incorporação do azeite na dieta tradicional brasileira*, assim como a substituição de outros óleos, diminui a perda óssea.


A pesquisa foi realizada com o acompanhamento de 111 adultos obesos graves por três meses. Os pacientes foram divididos em três grupos. Um recebeu 52 ml de azeite de oliva extra virgem, outro alimentou-se da dieta tradicional e o terceiro recebeu 52 ml de azeite junto à dieta. O consumo equivale a 3,5 colheres de sopa diárias. Os resultados mostraram que a densidade mineral óssea da coluna e do quadril foi maior no grupo que aliou o azeite à dieta.

“Esse é um resultado expressivo para apenas 3 meses de intervenção nutricional”, afirma Erika Silveira.

Óleo do bem


Diversas pesquisas apontam os benefícios do azeite de oliva extra virgem. Publicada na revista Annals of Clinical and Translational Neurology, um estudo apontou que o óleo ajuda na prevenção de Alzheimer. O coração também é bem tratado, segundo estudo do Instituto Nacional de Saúde, dos Estados Unidos. Nele, a pesquisadora principal Marta Guasch-Ferre, aponta que o consumo de cerca de uma colher de sopa por dia de azeite diminui 21% a chance de doenças cardiovasculares.


O azeite é ingrediente chave na dieta do Mediterrâneo, conhecida por ser benéfica para o coração. Nela, pratos baseados em plantas, peixes e gorduras saudáveis como abacate e nozes são responsáveis pela fama. O estudo da UFG mostra que não é necessário cortar o amado arroz, feijão e bife. Basta três colherzinhas do óleo para uma vida mais saudável.


*A deita tradicional brasileira é composta por alimentos não processados em pelo menos quatro refeições por dia, sendo o almoço e a janta os mais importantes. Neles, o arroz, feijão, legumes e carne magra estão quase sempre presentes. O café da manhã e os lanches são marcados por laticínios, frutas da estação, café e quitandas caseiras. A dieta é saudável e acessível segundo padrões da OMS.

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