• Cassiane Silocchi

UM MUNDO MAIS PROPENSO A DOENÇAS INFECCIOSAS

O aumento de contatos pessoais em decorrência de viagens de turismo e negócios e migrações de curta e longa duração pode ser enriquecedor, mas apresenta um grande potencial de disseminação de doenças infecciosas. Vamos a um exemplo prático: Uma pessoa pode deixar o país sem sintoma algum de uma doença infecciosa e, se não tomar os devidos cuidados, espalhar o vírus pelos lugares por onde passar — imagina com quantas pessoas e objetos um viajante não interage pelo caminho? A mobilidade intensa facilita tremendamente a disseminação de um vírus.

Outro importante fator é a redução da distância e do tempo das viagens, o crescimento dos fluxos de mercadorias e os novos meios de comunicação mais rápidos e mais baratos que favoreceram a emergência de espaços que constituem hubs internacionais. Assim, as cidades mundiais têm papel importante na difusão dos vírus.

A movimentação de pessoas, associados ao crescimento populacional e as alterações climáticas são considerados fatores potenciais para a contínua emergência e reemergência de muitas doenças infecciosas. As mudanças sociais e demográficas, decorrentes da urbanização e do desmatamento têm facilitado e acelerado a disseminação de patógenos. Por isso, as doenças infecciosas continuarão a ser item importante na pauta da saúde global.


Várias medidas são necessárias para o enfrentamento de doenças infecciosas. Entre elas, destaca-se a pesquisa científica, crucial para o desenvolvimento de vacinas e tratamento, assim como para o sequenciamento de genoma e o desenvolvimento de antivirais. Também a vigilância e a pesquisa em genética de variedades virulentas e de fácil transmissão entre humanos são essenciais para a prevenção e tratamento.

Ações de saúde pública, tais como educação e informação, medidas de higiene, de saneamento e de mitigação de impactos completam o rol de necessidades no controle de doenças infecciosas. Em nível teórico, a proposta do One Health Initiative (2016), que engloba a saúde de todas espécies vivas – humana e animal – através da integração da medicina, da veterinária e da ciência ambiental, é bastante promissora.

A covid-19, doença infecciosa que ainda é uma ameaça sanitária, nos pegou despreparados. Precisamos ter uma estrutura para o desenvolvimento mais rápido de vacinas, ao mesmo tempo em que necessitamos do trabalho conjunto, pois só vamos superar essa com o esforço de todos. A segurança sanitária coletiva é a soma da segurança sanitária individual. A cobertura universal e equitativa é indispensável para que se alcance estes dois aspectos interligados da segurança em saúde. A segurança individual se soma à segurança coletiva, e a segurança coletiva significa maior segurança individual.


REFERÊNCIAS


RIBEIRO, H. Saúde Global: olhares do presente. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2016.

ONE HEALTH INITIATIVA. Site. Disponível em: www.onehealthinitiative.com. Acesso em: 12 de novembro de 2021.

HEYMANN, D.L. et al. Global heatlh security: the wider lessons from the West African Ebola virus disease epidemic. The Lancet, 385: 1.884 – 1.895. 2015.



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