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Sexismo na Ciência e na Sociedade

O sexismo é um assunto que tem ganhado notoriedade em debates sociais, políticos e econômicos nos últimos anos e as redes sociais têm desempenhado um papel importante na abordagem dessa questão.

O sexismo nada mais é do que a discriminação de gênero, ou seja, o preconceito que se tem por alguém simplesmente por conta de seu gênero. Em nossa sociedade, o machismo é o maior expoente do preconceito de gênero.

Na sociedade machista, por exemplo, a desigualdade entre os gêneros é visível desde a infância dos indivíduos, quando meninas são introduzidas à vida doméstica e materna por meio de brinquedos como bonecas e utensílios de cozinha, enquanto meninos são incentivados a serem jogadores de futebol, astronautas e cientistas. Com essa visível desigualdade entre os gêneros, o sexismo continua se apresentando em todas as esferas e fases da vida de uma pessoa, com reflexos diretos na sociedade.

A sociedade em que vivemos é sexista e naturaliza atos de preconceito de gênero. Muitos desses atos são realizados de forma passiva, sem que a pessoa perceba o teor sexista presente nessa ação.


Figura 1 - Sexismo exemplo.

Fonte: Tirinhas Calvin (2019).


Alguns desses atos sexistas presentes em nossa sociedade podem ser percebidos ao colocarmos um olhar mais crítico sobre eles e, consequentemente, perceberemos que eles acontecem de forma rotineira e com pessoas bem próximas. Um dos exemplos de que vivemos em uma sociedade sexista é quando falamos sobre a diferença salarial entre homens e mulheres.

Diagnósticos equivocados, tratamentos inadequados, segurança inferior. Esses são alguns dos impactos gerados pelo sexismo na ciência e na pesquisa, áreas nas quais a presença das mulheres enfrenta barreiras de gênero.

Os cientistas tendem a perpetrar remédios formulados para homens, ignorando as diferenças genéticas entre os sexos, assim como médicos prestam menos atenção a sintomas tipicamente femininos que possam ser alertas para problemas graves de saúde, como ataques cardíacos. Diagnósticos equivocados, tratamentos inadequados, segurança inferior. “Os cientistas precisam entender: mulheres não são apenas homens menores”, resume Londa Schiebing, professora de História da Ciência e diretora do Gendered Innovations, da universidade americana de Stanford. Ela participou de um debate sobre os impactos das questões de gênero nas pesquisas, promovido pela Fundação L’Oréal antes da entrega do prêmio Mulheres na Ciência, em parceria com a Unesco.

A Unesco pontua que, atualmente, apenas 28% dos pesquisadores no mundo são mulheres e não mais do que 3% dos prêmios Nobel são atribuídos a elas. Os números perpetuam o desconhecimento das especificidades femininas na ciência: quanto maior o número de especialistas mulheres, maiores as chances de as questões de gênero serem

consideradas nos trabalhos.

Para confirmar essa informação, uma pesquisa realizada pela American Association of University Women (AAUW) demonstra que, em nenhum lugar do mundo as mulheres ganham mais que os homens, mesmo com formação acadêmica e experiência profissional superiores. Dessa maneira, ao refletirmos mais sobre esses dados, percebemos que o mercado de trabalho no qual estamos inseridas traz um sexismo institucionalizado.

Outro exemplo de sexismo presente na nossa sociedade é quando as instituições perpetuam estereótipos que ignoram as escolhas pessoais de cada um, como quando uma escola infantil solicita aos pais materiais de cor azul para uma criança do gênero masculino.

As crenças sexistas são endossadas pela nossa sociedade há séculos e refletem em diversas situações que vão desde a criação de um filho até a empregabilidade feminina no mercado de trabalho. Nossa sociedade perpetua o sexismo por gerações.

Os comportamentos sexistas são baseados na discriminação de gêneros. Eles são repetidos por homens e mulheres sem que essas pessoas percebam e contribuem para o reforço do sexismo na nossa sociedade.

Esses comportamentos podem ser identificados como machismo, femismo ou, até mesmo, transfobia e LGBTQ+ fobia. Eles estão presentes em diversos âmbitos das nossas vidas, como no trabalho, em casa, com os amigos ou em relacionamentos. Ainda é possível identificar comportamentos sexistas em programas de TV, novelas, filmes e muito mais.

Alguns comportamentos sexistas são conhecidos como sexismo benevolente. Eles fazem parte dos nossos hábitos e são considerados naturais. Um exemplo desse comportamento sexista benevolente é quando o homem puxa a cadeira para a mulher se sentar em um restaurante ou paga a conta em um jantar. São hábitos considerados pela sociedade como inocentes e que beneficiam a mulher.

Porém, esses comportamentos são enraizados de preconceito de gênero. Ao pensarmos criticamente, observamos que o garçom, na maioria das vezes, entrega a conta diretamente ao homem, assumindo que ele se responsabilizará pelo pagamento dela. São comportamentos considerados normais, mas, que representam os estereótipos presentes em uma sociedade sexista.

Repreender comportamentos sexistas consiste em corrigir algumas falas de amigos e conhecidos e chamar a atenção de alguém que esteja fazendo uma piada sexista, por exemplo.

É possível, também, repreender esses comportamentos de forma mais passiva, divulgando conteúdos, vídeos e perfis que falam sobre movimentos que buscam a igualdade de gêneros. Compartilhar conteúdos desse tipo pode ser uma ótima ferramenta para ajudar no despertar de muitas pessoas.

Hábitos sexistas podem estar presentes em nosso dia a dia, na escola, no trabalho, na rua e até mesmo em casa. Porém, é possível mudar a sociedade através de pequenos atos. Ao fazer sua parte, você poderá contribuir para uma sociedade menos sexista e mais justa.



Autora:

Gabriella da Silva Mendes (Doutoranda e Mestre em Educação em Ciências e Saúde, Historiadora e Pesquisadora – Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ).


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