• glecillacolombelli

Sônia Guimarães: quebrando barreiras na Física

Quantas mulheres cientistas você conhece?


E quantas mulheres negras cientistas você conhece?


Muito provável que, para ambas as perguntas, as respostas foram poucas ou até mesmo nenhuma.


De acordo com a referência [1] os dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior informam que dos “63.234 docentes que temos no Brasil, apenas 251 são mulheres negras, o que, em termos percentuais, representa menos de 0,4% do total. Destas, apenas 23 são da área de exatas” [grifo nosso]. E Sônia Guimarães é uma destas docentes (Figura 1). Assim, o objetivo desse texto é divulgar a sua trajetória, seu trabalho e também suas lutas. Mulher, negra, brasileira, professora e cientista – inspiração de dedicação e determinação para todos nós!


Figura 1: Sônia Guimarães [2].


Sônia Guimarães possui Licenciatura em Ciências pela Universidade Federal de São Carlos, mestrado em Física Aplicada pelo Instituto de Física e Química de São Carlos - Universidade de São Paulo e doutorado em Materiais Eletrônicos pela The University Of Manchester Institute Of Science And Technology [2]. Ela foi a primeira mulher negra brasileira a obter o título de doutora em Física. E também foi a primeira mulher negra a lecionar no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica – considerado uma das melhores instituições de ensino superior do Brasil). Sônia Guimarães ingressou como professora no ITA em 1993 e, desde então, leciona nesta instituição no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), atuando como professora de Física Experimental do 1º e 2º anos das engenharias: elétrica, computação, estruturas de aeroportos, mecânica de aviões, aeronáutica e aeroespacial [2].


Uma curiosidade é que em 1993 o ITA ainda não aceitava mulheres como ingressantes nos cursos de graduação. Foi somente em 1996 que essa instituição começou a realizou vestibular aberto também às mulheres. Outra curiosidade é que somente em 2019 o ITA aderiu as cotas raciais no vestibular e Sônia Guimarães comemorou essa vitória:


“Nunca acreditei que isso fosse possível, vocês não fazem idéia da minha felicidade. Não vejo a hora dos cotistas chegarem. Na sala de aula é muito difícil vermos negros. Essa medida vai mudar a vida de muita gente” (citação retirada da referência [3]).

Como pesquisadora Sônia Guimarães tem experiência na área de Física experimental em que trabalha com ligas semicondutoras e também já trabalhou com sensores de radiação infravermelha. Como docente tem experiência no ensino de Física aplicando a Metodologia de Aprendizagem Baseada em Problemas utilizando as seguintes ferramentas computacionais: Tracker, Arduino e Mathematica [2].


Sônia Guimarães luta contra o racismo e também contra a discriminação de gênero. Ela incentiva meninas a seguirem nas áreas de ciências exatas. Também faz parte da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros - ABPN, do Grupo de Trabalho Equidade Racial em Física da Sociedade Brasileira de Física - SBF, Conselheira Fundadora da AFROBRAS, ONG mantenedora da Universidade Zumbi dos Palmares, Conselheira do Conselho Municipal Para a Promoção de Igualdade Racial - COMPIR, da prefeitura da cidade de São José dos Campo [2].


Já ganhou diversos prêmios sendo o último em 2019 pela Câmara Municipal de São José dos Campos em que foi destaque na luta ao combate do racismo, inclusão social e valorização da população negra.


Esse sucinto texto sobre esta pesquisadora é para lhe agradecer pelas suas lutas e também enaltecê-la pelas suas conquistas.


Referências:


[1]https://www.geledes.org.br/minha-vida-e-quebrar-barreiras-diz-a-1a-mulher-negra-doutora-em-fisica/ Acesso em: 06 de Julho de 2021.

[2] Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3737671551535600 Acesso em: 06 de Julho de 2021.

[3] https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2018/07/19/ita-vai-ter-cota-para-estudantes-negros-pela-primeira-vez-no-vestibular-2019.ghtml