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Quais os Desafios de Ser Mulher?

Atualizado: Out 24

Ao longo dos anos, as mulheres têm resignificado sua participação na sociedade, empoderando-se em várias funções que eram exclusivamente masculinas. Ocupando posições importantes, com maiores reconhecimentos profissionais e promovendo independência financeira e autonomia, conseguiram adquirir maiores visibilidades que podem ser observadas historicamente. Porém, ainda em pleno século 21, com tantas conquistas femininas, ainda vemos como para muitas mulheres, a maternidade chega acompanhada de um sentimento de culpa, tanto pessoal quanto profissional, tornando-se um verdadeiro “dilema”. Desta forma, nota-se com frequência histórias de mulheres que abandonaram suas carreiras profissionais, por falta da chamada “rede de apoio”.


Dessa forma, esse trabalho pretende apresentar questionamentos, a partir de estudos que se debruçaram sobre o tema. Apresentando alguns depoimentos anônimos de mulheres, que responderam voluntariamente um questionário on-line na página de divulgação científica: 'Meninas na Ciência-UFRJ', contando suas experiências e escolhas enquanto mulheres e a conciliação de papéis que lhes é imposta socialmente.


Durante muitos anos, a mulher dedicou-se exclusivamente ao cuidado da casa, do marido e dos filhos. Depois da primeira e da segunda guerra mundial, as mulheres passaram a ganhar espaço no mercado de trabalho, pois seus companheiros estavam na linha de frente de batalhas e os que retornavam carregavam sérias sequelas.


Desta forma, historicamente, começamos a observar uma mudança social, onde a mulher passou a ser a provedora da família e muitas vezes, a única responsável por sustentar a família.

Ademais, Com o decreto de n°21.417, foi estabelecido os direitos iguais de trabalhos sem distinção de sexo, também sendo proibido o trabalho às mulheres grávidas e o desligamento empregatício durante o período gestacional.


Dessa forma, nota-se que ao longo do tempo, a mulher foi conquistando o seu espaço na sociedade e ganhando presença no mercado de trabalho. Atualmente as mulheres são a maioria da população e muitas são responsáveis pelo sustento da família. No entanto, ainda são muitos os desafios que elas encontram em suas vidas para conciliar a vida pessoal e o papel de mãe.

Além disso, podemos perceber a falta de engajamento de várias instituições e organizações ao não desenvolverem programas e/ou políticas pensando nesta fase da mulher. Com tais iniciativas, poderiam suprir as necessidades especiais das mulheres gestantes ou que já tiveram filhos e incentivá-las a conciliar a vida pessoal com a vida profissional.

Este estudo possibilita identificar o impacto da maternidade na carreira da mulher, como ocorre a conciliação entre a vida profissional e pessoal de uma mãe e como isto é visto na atualidade a partir do breve contexto apresentado. Ademais, o estudo se propõe a refletir sobre a “batalha diária” do cumprimento das inúmeras tarefas que devem ser conciliadas com a maternidade e as demais lacunas deixadas pela gestão pública e até mesmo privada.


Quadro 01 – Síntese de Dados Principais obtidos.


Fonte: Próprio Autor (2020).



Ao analisarmos os resultados obtidos do questionário on-line, segundo o método de análise de conteúdo de Bardin (2008), percebemos que as políticas públicas que deveriam apoiar as mulheres mães, ainda são as: “desenhadas e aplicadas” por grupos sociais favorecidos na sociedade, ou seja, uma elite política geralmente composta pelos homens brancos, heteronormativos, com alta escolaridade, com concentração de renda e de forte inserção social. Assim, as vozes e experiências originadas fora dessa esfera do poder hegemônico não são consideradas legítimas, uma vez que o Estado não as qualifica como uma questão em seu horizonte de atuação. Dessa forma, as mulheres mães não estão presentes na política e nas tomadas de decisões e também não são suas destinatárias específicas.


O fortalecimento do movimento feminista ocorreu no Brasil a partir dos anos 1970. Menos de uma década depois, se consolidou no Brasil um forte movimento feminista e também na área acadêmica, cujos reflexos, de imediato, se fizeram presentes na tentativa de incorporação da perspectiva de gênero nas políticas públicas e programas governamentais, com o intuito de estabelecer pautas políticas especificas e/ou direcionadas às mulheres (Farah, 2004; Bandeira, 2010, Soares, 2003; Godinho, 2007). Sem dúvida, foram e são ainda muitos os desafios para alcançá-las.

Vale lembrar que o conceito de gênero estrutura-se a partir da ênfase nas relações sociais, políticas, econômicas e culturais, etc. entre os sexos, uma vez que sinaliza as condições de desigualdades presentes entre homens e mulheres, sobretudo, relações hierárquicas e de poder (Scott, 1995). Evidente que há outras desigualdades associadas, além de raça/etnia, classe, geração etc., tais como de acesso a outras dimensões da esfera pública, a saber, à justiça, à tecnologia, à saúde, ao sistema bancário/financeiro, entre outros.

Assim, ao propor políticas públicas “de gênero” é necessário que se estabeleça o sentido das mudanças que se pretende, sobretudo, com vistas a contemplar a condição emancipatória e a dimensão de autonomia das mulheres. Para que as desigualdades de gênero sejam combatidas no contexto do conjunto das desigualdades sócio históricas e culturais herdadas, pressupõe-se que o Estado evidencie a disposição e a capacidade para redistribuir riqueza, assim como poder entre mulheres e homens, entre as regiões, classes, raças, etnias e gerações.

Para tanto, é necessário compreender que as políticas públicas com recorte de gênero são as que reconhecem a diferença de gênero e, com base nesse reconhecimento, implementam ações diferenciadas dirigidas às mulheres (Farah, 2004; Silveira, 2003). No âmbito do executivo federal, são efetivadas pela Secretaria de Políticas para as Mulheres. Resultam do processo de mobilização das próprias mulheres, através de suas organizações, cujos resultados são as conferências em suas diversas instâncias municipais, estaduais e nacional.



Agradecimentos e apoios: Todas as mulheres participantes voluntárias do questionário on-line na página de divulgação científica: 'Meninas na Ciência-UFRJ', que se dispuseram a disponibilizar suas experiências, opiniões e escolhas, enquanto mulheres. Estas se pronunciaram para além da conciliação de papéis que lhes é imposta socialmente, concordando com a utilização de suas histórias, para confecção de um banco de dados respeitando os seus anonimatos e informações de perfis, e consequentemente sendo fonte/resultado para a escrita deste trabalho de pesquisa.


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Referências:

ANAIS da Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres: Autonomia e igualdade para as mulheres. Brasília (DF), dezembro de 2011. Disponível em http://spm.gov.br/pnpm/publicacoes/.

BARDIN, L.. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2008.

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Trad. de Maria Helena Kühner. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

CARLOTO, C. M. O conceito de gênero e sua importância para a análise das relações sociais. Serviço Social em Revista, Londrina, vol. 3, n. 2, [s.p.], jan./jun., 2001.

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______. No meio do caminho entre o privado e o público: um debate sobre o papel das mulheres na política de assistência social. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, vol. 18, n. 2, p. 451-471, mai./ago. 2010.

CARLOTO, Cássia Maria. Políticas Públicas, Gênero e Família. In: http://www.uel.br/revistas/ssrevista/c_v5n1_htmmcassia.

CINTRA, Soraia Veloso. O mundo do trabalho e a presença feminina. Franca, v. 17,n. 1, p. 373-391, 2008.

________. A busca pela equidade: uma analise da realidade das melhores empresas para elas trabalharem. São Paulo, 2007.

FARAH, Marta Ferreira S. Gênero e políticas públicas na esfera local de governo. Organizações e Sociedade,v. 6, n. 14, p. 65-104, 1999.

MENDES, Gabriella da Silva. “A INSERÇÃO DE MULHERES NA CIÊNCIA: Olhares a partir das pioneiras do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF-UFRJ) e de Estudantes do Ensino Fundamental”.Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Educação, Ciências e Saúde - Instituto NUTES de Educação em Ciências e Saúde, Orientação: Alexandre Brasil Carvalho da Fonseca. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: 2020.

SCOTT, J. Gênero: uma categoria útil para análise histórica. Tradução de Christine Rufino Dabat e Maria Betânia Ávila. Texto original: SCOTT, J. . Gender: a useful category of historical analyses. In: Gender and the politics of history. New York: Columbia University Press, 1989.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil para a análise histórica. Recife: SOS Corpo, 1995.

SILVEIRA, Maria Lúcia. Políticas Públicas de Gênero: Impasses e Desafios para Fortalecer a Agenda Política na Perspectiva da Igualdade. Coordenadoria Especial da Mulher de São Paulo. In: Revista Presença de Mulher, ano XVI, n. 45, outubro/2003.


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