• Júlia Reis

Psicanálise ou Psicoterapia?

O que é a psicanálise? Qual a diferença entre fazer psicanálise, ou análise? E fazer psicoterapia, ou terapia?


Essa pergunta inicial, que a maioria dos sujeitos fazem quando pensam em iniciar um tratamento de saúde mental, é fundamental para a escolha da modalidade de tratamento psi.

Ao final da faculdade de psicologia, o psicólogo pode escolher, entre várias linhas teóricas, qual fundamentará seu trabalho clínico: a Terapia Cognitivo-Comportamental, a Gestalt Terapia, a Psicanálise, dentre outras. A psicologia, de modo geral, estuda e analisa os processos mentais e comportamentais dos indivíduos. O psicólogo atua não somente na área clínica, mas também na área da educação, dos esportes, nas empresas, no âmbito jurídico e em outras áreas.

Qual, então, o diferencial da psicanálise?


A psicanálise surge com Sigmund Freud, médico neurologista, que ao estudar as histéricas, não chegou a uma causalidade orgânica ou biológica que explique-se seus sintomas. Desse modo, ele fundamenta sua teoria sobre os sintomas e sobre as psicopatologias em uma causalidade psíquica, inconsciente. Sendo assim, o sujeito em psicanálise não equivale ao que é subjetivo, nem à subjetividade. O sujeito em psicanálise é sem qualidade.


Freud afirma que o inconsciente é atemporal, por isso que os neuróticos sofrem de reminiscências, ou seja, sofrem em função de eventos, traumas, do passado que sofreram a ação do recalque. A análise tem, portanto, a função de tornar o inconsciente consciente através da rememoração seguindo o processo da associação livre, em que o paciente é convidado a dizer “tudo o que lhe vier à cabeça”.


Contudo, Jacques Lacan (1953-54), psicanalista francês que retoma a teoria freudiana, pontua que rememorar esses eventos não é tão importante quanto reconstruí-los. Ou seja, a psicanálise permite que os sujeitos possam reescrever sua própria história, ao atravessar a fantasia e se encontrar com o seu desejo.


Referências bibliográficas:

GARCIA-ROZA, L. A. Freud e o inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002.

LACAN, J. O Seminário, livro 1: os escritos técnicos de Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009 [1953-54].


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