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Por que Precisamos de Equidade de Gênero?


Autora:

Gabriella da Silva Mendes (Doutoranda e Mestre em Educação em Ciências e Saúde, Historiadora e Pesquisadora – Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ).



Primeiramente, porque as mulheres não recebem o mesmo tratamento que os homens, devido a um sistema que criou papéis sociais, onde homens atuam na esfera pública (política e negócios) e mulheres na esfera privada (casa e filhos). Por isso, existem diversos fatores que contribuem para a desigualdade de gênero, tais como:


  • Situações de assédio

Em todo o mundo, 52% das mulheres economicamente ativas já sofreram assédio sexual, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho). O estudo na revista científica “Gender, Work, and Organization” aponta que o número de relatos de assédio caiu de 16 mil em 1997 para 9,6 mil em 2016. Porém, a queda é sustentada em 70% por casos contra mulheres brancas e apenas 38% de queda entre as negras.


  • Poucos modelos femininos de liderança

Em 2016 no Brasil, 60,9% dos cargos gerenciais eram ocupados por homens e apenas 39,1% pelas mulheres. (IBGE, 2018) Além disso, s​egundo pesquisa do Instituto Ethos de 2015, mulheres negras correspondem a apenas 0,4% dos quadros executivos das maiores empresas do país.


  • Desigualdade salarial e menos flexibilidade quanto à dupla jornada (trabalho e lar)

Em 2018, as mulheres representavam 45,3% da força de trabalho, ganhavam 79.5% do total do salário pago ao homem e tinham uma jornada semanal de trabalho menor em 4,8 horas, sem considerar o tempo dedicado a afazeres domésticos e cuidados de pessoas. (IBGE, 2019).


  • Ser interrompida constantemente em reuniões

Um estudo realizado em 2014 na Universidade de George Washington (EUA), mostrou que mulheres são duas vezes mais interrompidas que homens em conversas neutras.


  • Falta de oportunidade

Segundo uma pesquisa da​ Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),​ ​82% dos transexuais e travestis não concluem seus estudos​, o que dificulta seu acesso ao mercado de trabalho. Somado a isso ​mais de 30% das mulheres negras estão inseridas em situação precária de trabalho​, mulheres negras são o maior contingente de profissionais que trabalham sem carteira assinada.



Os dados acima são reflexo do patriarcado, sistema social baseado no controle dos homens sobre as mulheres. O patriarcado é mantido pelo machismo, pela misoginia e pelas suas ramificações — a cultura do estupro, a objetificação da mulher, a maternidade e a heterossexualidade compulsórias e a exclusão da mulher das esferas política, econômica e midiática.


Figura 1 - E como isso pode mudar? Então, lembra do feminismo?

Fonte: Diário do Comércio (2020).



O feminismo não é o ódio aos homens, nem querer matá-los e sim sobre igualdade. O movimento feminista contribui para a desconstrução do pensamento conservador e patriarcal da sociedade. São um conjunto de movimentos políticos, sociais, ideologias e filosofias que têm como objetivo comum: direitos iguais, uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões patriarcais, baseados em normas de gênero.

O feminismo não começou do nada; ele veio em ondas, que avançaram e retrocederam de acordo com o contexto histórico. O voto feminino, a invenção da pílula anticoncepcional, a inserção da mulher no mercado de trabalho, tudo isso foi fruto do feminismo.

Então, graças ao movimento feminista, a participação feminina vem aumentando cada vez mais e consequentemente seu poder de consumo. Assim, a presença feminina cresceu tanto no mercado quanto na atividade empreendedora, porém, a desigualdade de gênero ainda persiste e é necessário mudar continuar na luta para mudar esse cenário.



Exemplos práticos de atitudes preconceituosas:


O que não fazer?

  • Mansplaining: é quando o homem quer explicar tudo para uma mulher, como se você não tivesse expertise e não tivesse propriedade para falar — e nem tivesse capacidade de entender sozinha.


  • Bropriating: acontece quando um homem ganha crédito por uma ideia que originalmente era de uma mulher.


O que fazer?


Repreenda atitudes machistas: não se cale ao ouvir comentários que humilhe mulheres e pessoas LGBTI+.


Promova a igualdade de salários: apoie iniciativas dentro da empresa que contribuam para equidade de remuneração para funcionários com cargos equivalentes.


Eleja, apoie, dê espaço às mulheres cis e trans: contrate mulheres, leia livros de mulheres, assista esportes femininos, apoie artistas mulheres.


Ninguém é perfeito: todos nós reproduzimos preconceitos e visões estereotipadas relacionadas a vários temas, incluindo gênero. Procure prestar atenção nas suas pressuposições e saiba que nenhum de nós está imune a emitir comentários e realizar atitudes preconceituosas.



A inclusão de mulheres promove tanto excelência da empresa em inclusão e diversidade, como intensifica a qualidade dos resultados nos ambientes empresariais, uma vez que o conhecimento se torna múltiplo, menos enviesado e mais criativo.



Figura 2 - Pensando a Equidade de Gênero.

Fonte: Diário do Comércio (2020).



QUER SABER MAIS? Site Oficial: www.equid.net.br

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