• Cassiane Silocchi

O uso de Evidências em tempos de tomada de decisão

Atualmente, a pandemia do coronavírus é o maior desafio da área de saúde. É possível projetar cenários confiáveis sobre como vai evoluir a pandemia nos próximos meses? Existem evidências que permitam que isso seja feito?


Mas afinal, o que são evidências?


“Evidências” são as demonstração de fatos, reconhecidos através da experiência ou observação, e podem ser usadas para fundamentar ou justificar uma decisão. A evidência por si só não toma decisões. Esse entendimento sobre evidência como “demonstração de fatos” tem implicações importantes.

Em primeiro lugar, a opinião de um especialista envolve mais do que evidências, porque combina fatos com outros elementos, como a experiência e o conhecimento prévio.

Em segundo lugar, nem todas as evidências são igualmente confiáveis. A confiança que depositamos em uma evidência depende do tipo de observação, e se foi bem conduzida ou não.

Em terceiro lugar, é melhor basear o julgamento sobre a confiabilidade das evidências numa avaliação de qualidade sistemática para prevenir erros e enganos, resolver divirgências, facilitar a avaliação crítica e ajudar a disseminar informações também de forma confiável.

Em quarto lugar, todas as evidências são suscetíveis ao contexto, pois todas as observações são necessariamente relacionadas ao contexto específico, sendo necessário fazer avaliações sobre a adaptabilidade e aplicabilidade das evidências de forma sistemática e explícita.

Em quinto lugar, as ‘evidencias globais’ (evidências disponíveis em todo o mundo) são o melhor ponto de partida para avaliações sobre potenciais efeitos de intervenções, porque os efeitos demonstrados em um contexto muito específico podem levar a conclusões equivocadas sobre o que esperar de uma intervenção.

Por fim, as ‘evidenciais locais’ (produzidas e disponíveis em cenários específicos onde decisões serão tomadas) são muito úteis para fundamentar o entendimento e julgamentos sobre problemas, opções para enfrentar problemas e estratégias de implementação.


Qual o papel da evidência na tomada de decisão em políticas, sistemas e serviços de saúde?


Decisões bem informadas exigem o acesso a evidências robustas e de alta qualidade. As evidências são úteis para esclarecer que intervenções podem/devem ser oferecidas e como implementá-las. Revisões sistemáticas são sínteses de evidência global que buscam responder perguntas previamente formuladas, mediante métodos sistemáticos e transparentes para identificar, selecionar, apreciar criticamente e sintetizar os resultados de pesquisas relevantes realizadas em todo o mundo, publicadas ou não.

A tomada de decisão em políticas de saúde pode ser influenciada por vários outros fatores diferentes das evidências, tais como arranjos institucionais, grupos de interesses, ideias e fatos externos, como crises econômicas e decisões judiciais Portanto, as evidências de pesquisa não são a única informação útil para informar decisões. O aumento do uso das evidências de pesquisas e capacidade dos formuladores de política de fazer avaliações sobre a relavância e a qualidade das evidências são questões fundamentais para que se alcancem resultados significativos para a saúde com mais eficiência.


Referências

Silva SF et al. Gestão de políticas de saúde informadas por evidências 2018-2020. São Paulo: Hospital Sírio Libanês: Ministério da Saúde, 2018.

Ramos MC, Silva EN. Como usar a abordagem da Política Informada por Evidência na saúde pública? Saúde debate 42 (116) Jan-Mar 2018.

Barreto JOM, Souza NM. Making progress in the use of health policies and practices informed by evidence: the Piripiri-Piauí experience. Ciênc. Saúde Colet. 2013; 18(1):25-34.

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