• Maria Luiza Valeriano

Goiás poderá sediar o segundo Geoparque do Brasil

Atualizado: Mar 15

A Chapada dos Veadeiros está nas últimas fases para sediar o segundo Geoparque Mundial do Brasil



O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, localizado em Goiás, está em fase de conclusão para iniciar a implementação de um regime de Geoparque Mundial. Ainda é necessário apresentar um dossiê para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), mapeando todas as informações geológicas, sociais e culturais da região.


Para essa fase, é necessário a participação de pesquisadores de várias áreas e um trabalho de mapeamento extenso. Este trabalho está sendo feito pela pesquisadora e coordenadora do curso de Geologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal de Goiás (FCT-UFG), Joana Sánchez.

“A primeira visita de campo foi em dezembro de 2016. Desde então, tenho ido periodicamente. O processo é demorado pois é feito a pé. Observamos cada detalhe para encontrar os patrimônios geológicos excepcionais”, observa.

O processo está previsto para durar quatro anos.


Segundo a UFG, o geoparque compreende a microrregião da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, que engloba oito municípios: Cavalcante, Alto Paraíso de Goiás, Colinas do Sul, Teresina de Goiás, Nova Roma, São João D’Aliança, Campos Belos e Monte Alegre de Goiás. O território contempla além da área de proteção ambiental (APA) do Pouso Alto, criada pelo Decreto nº 5.419, de 7 de maio de 2001.


“O projeto do geoparque é muito maior do que a área do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV). O Parque Nacional estará dentro do geoparque e continuará com a sua gestão pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Não iremos exercer qualquer influência sobre eles. Mesmo contendo o PNCV no seu território, o geoparque não é um parque nacional. Pessoas podem morar no local e até exercer atividades econômicas”, explica a coordenadora.


Definição


Atualmente, existem 127 Geoparques Mundiais da UNESCO em 35 países. Para enquadrar como geoparque, é necessário que a região seja única com excepcionalidade geológica e potencial científica, segundo Antônio Theodorovicz, coordenador regional do Projeto Geoparks em São Paulo.

“A Unesco, com a criação dos geoparques, pretende preservar regiões que contam a evolução dos continentes, a herança geológica da Terra. E, ainda, aliar a preservação, necessariamente, ao desenvolvimento social e econômico dessas regiões por meio do Geoturismo”, pontua.

Um geoparque precisa estar baseado no tripé de conservação, educação e desenvolvimento sustentável, como determina a Rede Global de Geoparques (Global Geoparks Network), assim como deve contemplar o turismo e desenvolver a economia local.


Geoparque Araripe


O Brasil está representado nessa rede pelo Geoparque Araripe, o primeiro das Américas, criado em 2006. Localizado no Ceará, o Parque Geológico do Araripe estende-se pela área de seis municípios cearenses: Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri e totalizando 3.796 km². A região possui a principal jazida de fósseis cretáceos do Brasil. Isso inclui a maior concentração de vestígios de pterossauros do mundo, além de 20 ordens diferentes de insetos fossilizados, com idade aproximada 110 milhões de anos. Também, destacam-se os fósseis preservados das primeiras plantas com flores, que demonstram as interações primitivas entre insetos e plantas.


A América Latina totaliza sete geoparques. O Araripe, no Brasil; Grutas de Palacio, México; Comarca Minera, México; Mixteca Alta, México; Imbabura, Equador; Colca y Volcanes de Andagua, Perú e Kutralkura, Chile.


Benefícios


Segundo a professora Joana, não será necessário propor um projeto turístico inteiramente novo, visto que já ocorre turismo geológico na região.

“Em 10 anos, a Chapada dos Veadeiros registrou o aumento de 300% de visitantes. Esse número representa o potencial gigante que nosso Estado possui” Lincoln Tejota, vice-governador de Goiás.

Além do incentivo à pesquisa e ao turismo, o projeto de Geoparque trouxe dois projetos de extensão da UFG. Um deles é de Educação em Geociências e Geologia Regional para os guias e condutores da região. O outro capacita guias em geologia e em normas técnicas de condutores de turismo, em conformidade com a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ministrado juntamente com o canionista, Ion David.

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