• Maria Luiza Valeriano

Esgoto pode ajudar na detecção da escala do coronavírus

Matéria publicada na revista Nature aponta a pesquisa sendo feita nos Países Baixos


Uma pesquisa foi iniciada mundialmente sobre o uso de água de esgoto para mapear a escala de contaminação do coronavírus. Tendo em vista que a maioria da população não se submeterá ao exame, a prática poderá ter números mais reais. A água é coletada nas estações de tratamento que têm capacidade de coletar material de mais de um milhão de pessoas.


“As autoridades de saúde estão vendo somente a ponta do iceberg” Gertjan Medema, microbiologista no KWR Water Research Institute na Nieuwegein, na Holanda.

A revista pontua que será necessário descobrir a quantidade de RNA viral nos dejetos para quantificar os casos de contaminação.


Medidas preventivas, como o isolamento social, servirão para controlar o crescimento de infecções, mas com a quebra do isolamento e a volta à rotina, um novo surto poderá ocorrer. Esse método de detecção é uma forma não invasiva de aviso prévio antes que ocorra um novo surto, segundo a Ana Maria de Roda Husman, pesquisadora de doenças infecciosas no Instituto Nacional dos Países Baixos de Saúde Pública e Meio Ambiente, para a revista Nature.


O grupo de pesquisadores do Instituto conseguiu perceber níveis de Covid-19 nas águas residuais quatro dias após o primeiro caso confirmado nos Países Baixos. O estudo será aplicado agora em todas as capitais municipais e mais 12 áreas sem casos confirmados. A pesquisa mostra que o RNA viral se apresenta três dias após a contaminação, tempo importante para conter a pandemia uma vez que sintomas demoram até duas semanas para a manifestação, aponta Tamar Kohn, virologista ambiental no Instituto Federal de Tecnologia da Suíça.


O método já é usado para detectar doenças como samonella e poliomielete nos Estados Unidos e nos Países Baixos. Com ele, será possível identificar antecipadamente as melhores medidas a serem tomadas, assim como preparar um plano econômico.


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