• Gabriella Arienne

Escola de verão do Instituto Weizmann : construindo pontes e inspirando futuros cientistas


Todo o ano ,desde 1969, o Dr. Bessie F. Lawrence International Summer Science Institute reúne cerca de 80 alunos pré-universitários altamente talentosos e muito apaixonados por ciência de todo o mundo. Durante o programa, os selecionados terão a oportunidade de experimentar os desafios e recompensas da pesquisa científica e aprender mais sobre o renomado Instituto Weizmann de Ciência e a vida em Israel.

Durante o programa de um mês, esses jovens conduzem suas pesquisas nos laboratórios do campus do Weizmann Institute. Eles são designados à um grupo de pesquisa baseado em seus interesses acadêmicos e se juntam a outros alunos internacionais. Contando com laboratórios extremamente sofisticados e mentoria de pesquisadores renomados em sua área, os alunos desenvolvem durante as três primeiras semanas um projeto de pesquisa que pode ser tanto na área de biologia, química, física, matemática e ciência da computação. Ademais, eles também têm a oportunidade de imersão em todas as áreas de ciência durante o programa. Há diversas palestras de cientistas seniores do Instituto Weizmann e visitas a algumas das instalações de última geração do campus.

Além disso, há também muita troca cultural entre todos os estudantes internacionais. O programa foi preparado para também providenciar um espaço de compartilhamento de experiências, histórias e interesses. Na última semana, também há uma caminhada pelo deserto da Judéia e no Negev em que todos podem observar características ecológicas, geográficas, geológicas, zoológicas e arqueológicas da área , algumas das quais são únicas no mundo.

Desde 1983 o Brasil tem encaminhando alunos para o programa. Entre os milhares de candidatos que são avaliados, os selecionados recebem uma bolsa integral financiada pelo Grupo dos Amigos do Instituto Weizmann do Brasil. A bolsa cobre a viagem, estadia e taxas de atividades. O processo seletivo é dividido em duas etapas. Na primeira etapa, os candidatos devem enviar uma redação com o tema “My interest in the Institute Weizmann Summer School - Science as a tool for life, Scientific Research and my future life”. Após a primeira etapa, menos de 10 candidatos são selecionados para última etapa, na qual os candidatos participam de uma entrevista que é realizada totalmente em inglês.

O Grupo de Amigos do Weizmann do Brasil é uma associação brasileira sob coordenação científica da Profa. Regina P. Markus da Universidade de São Paulo. Sem interesse lucrativos, o grupo visa apoiar o Instituto Weizmann de Ciências de Israel na manutenção de sua excelência na pesquisa, promover o intercâmbio entre o Brasil e o Instituto e fomentar a pesquisa de ponta para o desenvolvimento e benefício da sociedade.

Neste ano, o programa aconteceu apenas online e um dos selecionados foi Enzo Kaneko Ebert. Ele tem 18 anos e é do interior de São Paulo. Após participar de diversas olímpiadas de física, matemática, química e astronomia, se apaixonou por ciência e decidiu que gostaria de se envolver mais com ela. Durante o colegial, desenvolveu um projeto de pesquisa em um laboratório da UNESP sobre o fenômeno de expansão térmica negativa que ocorre em alguns materiais em baixas temperaturas. Chegou a participar de outros programas de verão de pesquisa tanto aqui no Brasil quanto no exterior, como o que realizou na Universidade de Cambridge em 2019. Porém, buscando uma experiência ainda mais imersiva em ciência e cultura, Enzo decidiu aplicar para o programa de pesquisa de verão oferecido pelo Instituto Weizmann em Israel.

Durante 3 semanas, Enzo conduziu um projeto de pesquisa com a aluna Cade da Alemanha e mais duas mentoras, Talia Khan da Universidade Tecnológica de Massachusetts (MIT) e Alison Shay da Universidade de Northwestern. Combinando tópicos de física, química, biologia e ciência de materiais, Enzo e sua parceira desenvolveram um projeto de pesquisa sobre simulações de dinâmica molecular para estudar e entender as propriedades mecânicas de fibras naturais da Floresta Amazônica. Buscando solucionar diversos problemos ecológicos devido ao acúmulo de plásticos, materiais feitos de fibras naturais podem suprir uma necessidade por uma nova geração de materiais sustentáveis caracterizados por sua sustentabilidade ambiental e grande aplicabilidade.

A segunda selecionada foi a estudante de medicina carioca ,Gabriella Arienne, de 19 anos. Ainda no ensino médio, se apaixonou pela ciência e tecnologia e participou de diversos eventos que vão desde feiras científicas para jovens até um convite do Google Brasil para participar de um programa de imersão para meninas em tecnologia. A escola de verão do Instituto Weizmann era um sonho anterior à sua entrada no ensino médio. A oportunidade de aprender e fazer pesquisa com cientistas tão qualificados se tornou um desejo alimentado anualmente até que se tornasse elegível para o processo seletivo.

Sua pesquisa foi desenvolvida com a ajuda de outros dois estudantes brasileiros e contou com a orientação de duas mentoras, Lauren Sherman de Rutgers University e Valeria Eliosa da National Autonomous University of Mexico. O objetivo principal do projeto foi entender como células de câncer de mama metastático interagiam com células tronco mesenquimais de modo a induzir mudanças que favoreçam a sua permanência na medula óssea antes mesmo que um tumor primário apareça. Desse modo, foram analisadas mudanças nas sequências de células e de exossomos, vesículas que participam da comunicação celular.

Enzo e Gabriella também participaram de diversas palestras de pesquisadores do Instituto Weizmann. As conversas e palestras semanais começaram com o Prof. Alon Chen, presidente do Instituto Weizmann. Ele contou um pouco mais sobre a sua trajetória até o Instituto Weizmann, como o mesmo funciona e deu muitas dicas valiosas para interessados em seguir carreira científica.


Outra grande conversa providenciada pela Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP) foi com a Profa. e pesquisadora do Weizmann Ada Yonath laureada com o prêmio nobel de química em 2009 pelo seus estudos da estrutura e função do ribossomo. A Profa. Regina P. Markus foi uma das painelistas. Segundo Gabriella, as palestras ministradas por pesquisadores do próprio instituto foram extremamente relevantes e decisivas para que escolhesse trilhar a carreira científica no futuro. Além de todas as apresentações científicas dos pesquisadores do Weizmann, o Instituto também organizou um debate entre ex-alunos sobre qual medida de prevenção, leve ou forte, é mais benéfica para combater o SARS-COV-2 e manter o bem-estar geral da população.

O processo seletivo para a ISSI acontece todos os anos, usualmente, no mês de Março. Para mais informações acesse : http://amigosdoweizmann.org.br


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