• Cassiane Silocchi

EPIDEMIOLOGIA EM TEMPOS DE PANDEMIA

Nos últimos meses, devido à pandemia provocada pelo coronavírus, ouvimos frequentemente notícias e estudos apontados por especialistas, mencionando números, dados, falando do achatamento da curva, grupos de risco, velocidade de propagação e situação epidemiológica. Mas afinal, o que é a epidemiologia? Por que há tanta evidência atualmente?


A epidemiologia é essencial para o combate a qualquer doença, mas tem se destacado nos últimos tempos para compreender, conter e responder à Covid-19. A pandemia provocada pelo SARS-CoV-2 tem, de certo modo, contribuído para que boa parte da população passe a compreender como uma doença infecciosa pode se propagar, bem como, conhecer expressões utilizadas pela epidemiologia que buscam explicar os processos de proteção em massa.


Epidemiologia é a ciência que aborda a distribuição e os determinantes das doenças na população. Os métodos modernos de estudos epidemiológicos foram inicialmente desenvolvidos no século XIX, devido aos surtos das doenças infecciosas. Os primeiros relatos do uso da epidemiologia surgiram em Londres quando começaram a quantificar o número de nascimentos e óbitos. Com esta simples mensuração, foi possível observar um excesso de homens em comparação com as mulheres entre os nascimentos e óbitos, a elevada taxa de mortalidade infantil e as variações sazonais da mortalidade.


Atualmente, a aplicação dos métodos epidemiológicos é bastante utilizada nas investigações das causas e na história natural das doenças.Dessa forma, por meio de interpretações consistentes dos dados, é possível obter conclusões pertinentes aos achados encontrados e promover a elaboração de diretrizes eficientes ao melhor manejo clínico na prevenção e/ou tratamento das doenças.


Na prática, a epidemiologia é a aplicação de princípios e métodos de análise sobre os problemas encontrados, ou seja, ela se preocupa em contar eventos clínicos que ocorrem nos seres humanos. Estes eventos, muitas vezes, estão relacionados a grupos de pessoas ou “população” e suas categorias, como por exemplo, pacientes “vacinados” e “não vacinados”, ou “morte súbita” e “infarto de miocárdio”, ou doentes e sadios.


Vale salientar que uma ferramenta indispensável à Epidemiologia é a análise dos dados. É imprescindível que diante dos dados coletados, o profissional faça uma verificação minuciosa dos achados encontrados para desenvolver instrumentos eficientes no processo de tomada de decisão. Além disso, conhecer e analisar os dados do contexto, auxilia no planejamento em saúde e permite um melhor direcionamento aos programas de triagem para detecção precoce, ao tornar possível a determinação da extensão da ocorrência de doenças ou agravos e ao oferecer um panorama descritivo sobre a forma como se distribuem e a magnitude com que ocorrem as doenças, identificando grupos populacionais específicos com maior probabilidade (risco) de adoecer.


Referências

PETRY, P. C. Epidemiologia: ocorrência de doenças e medidas de mortalidade. Rio de Janeiro-RJ: Thieme Revinter Publicações, 2020.

Vecina, N. Gestão em Saúde. Guanabara Koogan, 2011.

Mendes, E. V. As redes de atenção à saúde. Organização Pan-Americana da Saúde, 2011.


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