• Cassiane Silocchi

Doenças Crônicas Não Transmissíveis: um desafio para a sociedade


As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) possuem uma alta prevalência na população e são responsáveis por 41 milhões de mortes anualmente. Entre as mais frequentes estão as doenças cardiovasculares (17,9 milhões), cânceres (9 milhões) e diabetes (1,6 milhões). O isolamento social causado pela pandemia agravou ainda mais a situação, aumentando a prevalência e a mortalidade destas doenças. De acordo com um recente estudo, realizado nas capitais brasileiras, o número de mortes por doenças cardiovasculares cresceu até 132% durante a pandemia.

Pessoas antes ativas, perderam a motivação de fazer atividades físicas e tornaram-se sedentárias, o consumo de bebidas alcóolicas e drogas aumentou significativamente, a qualidade do sono foi afetada e exames de rotinas deixaram de ser realizados. Se a humanidade mantiver este estilo de vida, a próxima pandemia será por doenças crônicas. Sendo assim, quanto mais precoce for a intervenção para diminuir os fatores de riscos, maiores serão as possibilidades de se obterem resultados positivos no que se refere à diminuição de ocorrências destas doenças.



A grande questão é: como influenciar a adoção de hábitos de vida saudáveis?

As proibições de hábitos alimentares, certos modos de viver, práticas de exercícios físicos etc. por exemplo, se tornaram usuais nas redes assistenciais de saúde, bem como no meio social de modo geral. A tomada de consciência e as atitudes relacionadas aos bons hábitos de vida beneficia a saúde e melhora a qualidade de vida das pessoas, mas há que se considerar que promover saúde não é apenas responsabilidade individual e do setor saúde e vai além dos estilos de vida saudáveis.

Nosso desenvolvimento tecnológico eliminou a atividade física da nossa rotina, de escadas rolantes à elevadores, às máquinas de lavar roupa e processadores de alimentos. Televisores, computadores, smartphones e tablets são usados tanto no trabalho quanto para o ócio. Em muitas comunidades faltam espaços e estruturas adequadas (ou eles são inseguros) para fazer caminhadas e desenvolver exercícios físicos. O mercado de alimentos é dominado por comidas e bebidas altamente processadas e poucos saudáveis, acrescidas das táticas de propaganda e marketing envolvidas na divulgação da necessidade de consumo destes alimentos.

Ou seja, um grande esforço deve ser feito principalmente de abordagens educacionais para modificar o comportamento individual, com eficácia limitada, para uma abordagem baseada em mudar esses determinantes ambientais de risco de doenças crônicas. Essa reflexão possibilita apontar que estas doenças dependem também das condições ambientais e sociais das pessoas, que lhe permitem ou não a capacidade de reagir diante dos riscos e assumir o autocuidado. Por isso, prevenir doenças não transmissíveis de forma bem-sucedida requer um esforço coordenado e abrangente. Esse é o grande desafio.


Referências

Brant LCC, Nascimento BR, Teixeira RA, et al. Excesso de mortes cardiovasculares durante a pandemia de COVID-19 nas capitais brasileiras Heart 2020; 106: 1898-1905.

World Health Organization (WHO). Noncommunicable diseases.2019 Jan/Feb [cited Fev 04, 2021. Available from: https://www.who.int/ news-room/fact-sheets/detail/noncommunicable-diseases

Ribeiro H. Saúde Global: olhares do presente. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2016. 47-67.

Junges JR. Saúde, Meio Ambiente e Doenças Crônicas Não Transmíssiveis. In: Nogueira RP et al. (Org). Observatório Internacional de Capacidades Humanas, Desenvolvimento e Políticas Públicas. Brasília-DF:Unb/ObservaRH/Nesp – Fiocruz/Nethis.2015;35-46.

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