• Maria Júlia

Corpo e mente: formação da identidade humana numa perspectiva filosófica

As relações entre globalização no sentido de transformações no âmbito educacional passa a fundamentar filosoficamente uma nova noção de identidade vinculada a mudança de paradigmas e a uma contribuição com os estudos da corporeidade e mente humana. Afinal, quais fundamentos tangenciam a formação da identidade humana? Veremos essa questão através das teorias de alguns pensadores. As condições e experiências de cada ser humano são formas de interpretação da realidade existencial que por sua vez, influenciam e relacionam- se ao contexto de suas vidas num mundo globalizado e tecnológico.


De acordo com Fritjov (CAPRA, 2019), da passagem do século XIX às primeiras décadas do século XX, a ciência física experimentou uma transformação profunda, a qual se plamou em trabalhos de pensadores tais como Einstein, Heisenberg, Bohr, entre outros. Tal transformação implicou alterações nos conceitos de “espaço, tempo, matéria, objeto, causa, efeito, etc.”, isto é, em conceitos “tão básicos para o nosso modo de vivenciar o mundo”.


Essas alterações baseadas nas novas descobertas, por sua vez, sacudiram a “visão de mundo clássica e mecanicista” de inspiração cartesiano-newtoniana, a qual por fim teve de ser abandonada já no início do século XX pelas teorias da relatividade e quântica e que foi substituída por uma visão da natureza mais “sutil”, “holística” e “orgânica”. Com base em tais mudanças, (CHOPRA, 2012) faz a sugestão pela aderência a um novo paradigma, baseado nos seguintes entendimentos: [1] “o mundo físico, inclusive nossos corpos, é uma resposta do observador. Criamos os nossos corpos assim como criamos a experiência do nosso mundo”;


[2] “em essência, nossos corpos são compostos de energia e informação, não de matéria sólida. Esta energia e informação são manifestações dos infinitos campos de energia e informação que alcançam todo o universo”; [3] “corpo e mente são inseparáveis. A unidade que sou ‘eu’ separa-se em dois cursos de experiência. Experencio o curso subjetivo como pensamentos, sentimentos e desejos. Experencio o curso objetivo como meu corpo. Em um nível mais profundo, contudo, os dois cursos se encontram em uma única fonte criativa. É a partir desta fonte que somos destinados à vida”;


[4] “a bioquímica do corpo é um produto da consciência. Crenças, pensamentos e emoções criam as reações químicas que sustentam a vida de cada célula. Uma célula que envelhece é o produto final da consciência que se esqueceu de como permanecer jovem”; [5] “a percepção parece ser automática, mas na verdade é um fenômeno aprendido. O mundo onde você vive, inclusive a experiência do seu próprio corpo, é completamente ditado pelo modo como você aprendeu a percebê-lo. Se mudar a sua percepção, você mudará a experiência do seu corpo e do seu mundo”;


[6] “impulsos de inteligência criam o seu corpo em novas formas a cada segundo. Você se constitui na soma total desses impulsos, e, ao mudar seus padrões, você também mudará”; [7] “embora cada pessoa pareça ser separada e independente, todos nós estamos ligados a padrões de inteligência que governam todo o cosmos. Nossos corpos são parte de um corpo universal, nossas mentes são um aspecto de uma mente universal”; [8] “o tempo não existe enquanto valor absoluto, apenas a eternidade. O que chamamos de tempo linear é um reflexo de como percebemos as mudanças.


Se pudéssemos perceber o imutável, o tempo conforme o conhecemos cessaria de existir. Podemos começar a aprender a metabolizar a não mudança, a eternidade, o absoluto. Ao fazê-lo, estaremos prontos para criar a fisiologia da imortalidade”; [9] “cada um de nós habita uma realidade que jaz além de todas as mudanças. Bem no fundo, desconhecida dos cinco sentidos, existe uma essência íntima do ser, um campo de não mudança que cria a personalidade, o ego e o corpo. Este ser é a nossa essência - que somos nós de verdade”; [10] “não somos vítimas do envelhecimento, da doença e da morte. Essas coisas são parte do cenário e não daquele que vê, o qual é imune a qualquer forma de mudança. Este que vê é o espírito, a expressão do ser eterno” (CHOPRA, 2012, p. 14-16).


Desta forma, nossa verdadeira natureza é totalmente definida pelo corpo, ego e personalidade. Somos fios de lembranças e desejos envoltos em pacotes de carne e ossos”; [9] “o tempo existe como um valor absoluto, e nós somos cativos desse absoluto. Ninguém escapa à devastação causada pelo tempo”; [10] “o sofrimento é necessário - é parte da realidade. Somos vítimas inevitáveis da doença, do envelhecimento e da morte” (CHOPRA, 2012, p. 12-14).


Podemos concluir com este estudo que a pluralização das diferenças identitárias possibilita a inserção dessas diferenças na sociedade e fomento para uma equidade social como principio da dignidade humana. Os pensamentos, convivências e emoções são conjuntos de conexões e processos que permeiam nossos ambientes educacionais e na sociedade como um todo e que precisam ser passiveis de compreensão para a formação da identidade humana.


Referencias


AVANÇO, L. D; LIMA, J. M; NEIRA, M. G. FORMAÇÃO DA IDENTIDADE EM ÂMBITO HIPERCULTURAL: CORPOREIDADE E FILOSOFIA. Educ. rev. vol.37 Belo Horizonte 2021 Epub Mar 08, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-46982021000100104&tlng=pt . Acesso em: 12 Mai 2021.

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