• Gabriella Arienne

Como produzir álcool 80% para higienização das mãos? Recomendação da organização mundial da saúde.



A procura por álcool gel 70%, devido principalmente a pandemia causada pelo coronavírus (COVID-19), aumenta em um ritmo tão intenso que muitos comércios já não possuem esse produto para venda. Nesse cenário, muitas alternativas têm sido disseminadas na Internet, e a venda de produtos utilizando ingredientes que não garantem o efeito antisséptico tem acontecido com certa frequência.


Pensando justamente em cenários desse tipo, em 2010, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um guia de produção local de álcool para higienização das mãos. Trata-se de duas formulações que podem ser produzidas, de forma relativamente simples, utilizando produtos disponíveis em farmácias. Os quatro ingredientes que são utilizados para produzir as formulações recomendadas, assim como sua função no produto final, são apresentados a seguir.


Álcool etílico (etanol): um antisséptico amplamente conhecido, que segundo o segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, sua atividade antimicrobiana pode ser atribuída à sua capacidade de desnaturar proteínas. De acordo com diretrizes sobre higiene das mãos nos cuidados de saúde produzida por esta agência, “[…] soluções de álcool contendo 60% a 95% de álcool são mais eficazes e concentrações mais altas são menos potentes porque as proteínas não são desnaturadas facilmente na ausência de água”.

Álcool isopropílico (isopropanol): outra substância com propriedade antisséptica, e amplamente utilizado para limpeza de componentes eletrônicos.

Glicerol (glicerina): usado como umectante (ajuda a pele a manter a sua umidade natural), mas outros emolientes podem ser usados para cuidados com a pele, desde que sejam baratos, amplamente disponíveis e miscíveis em água e álcool e não aumentem a toxicidade ou promovam alergias.


Peróxido de hidrogênio: usado para inativar esporos bacterianos contaminantes na solução e não é uma substância ativa para a antissepsia das mãos. Por isso, recomenda-se o uso da água oxigenada 10 volumes, que é uma solução que contêm 3% de peróxido de hidrogênio.

Para produzir o álcool etílico 80% (formulação 1) ou o álcool isopropílico 75% (formulação 2) segundo a recomendação da OMS é necessário o uso de proveta para medir os volumes indicados. No entanto, para reproduzir a formulação em casa a medição dos volumes indicados provavelmente será um problema. Desta forma, sugerimos formulações alternativas (formulação 1.1 e 2.1), mantendo os mesmos ingredientes, que possam ser reproduzidas em casa.






Vale lembrar que: (i) a reprodução dessas formulações deve ser feita por um adulto em um ambiente distante do fogo, uma vez que exige a manipulação de substâncias inflamáveis (álcool etílico e álcool isopropílico); (ii) o uso do produto final é apenas para higienização das mãos, o contato com outras partes do corpo não é recomendado.






Como informado em artigo anterior, na ausência de álcool em gel 70% outro produto (cujo contato com a pele seja possível) com concentração próxima poderia ser utilizado para a mesma finalidade. O combustível álcool, por exemplo, é um produto que não foi produzido para contato com a pele então seu uso deve ser evitado (seja para ser usado como é adquirido de postos de combustível ou ainda diluído com água).


Na ausência do álcool em gel 70%, assim como de outros produtos à base de álcool, o sabonete comum (ou com substâncias antissépticas em sua composição) e água corrente continua sendo um bom método para higienização das mãos.


Nota: As imagens dos produtos indicados nas formulações são meramente ilustrativas, não há necessidade de uso de uma marca específica, o importante é utilizar produtos de boa qualidade e com teor de princípio ativo adequado.


Referências


CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Guideline for hand hygiene in health-care settings. Disponível em: https://www.cdc.gov/mmwr/PDF/rr/rr5116.pdf.


ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Guide to Local Production: WHO-recommended Handrub Formulations. Disponível em: https://www.who.int/gpsc/5may/Guide_to_Local_Production.pdf


ROMERO, A. L. O dilema do álcool gel 70% para desinfecção das mãos. Disponível em: https://www.revistakratos.com/post/o-dilema-do-álcool-gel-70-para-desinfecção-das-mãos



Adriano Lopes Romero

Químico formado pela UEM, mestre em Química (doutorado incompleto) pela Unicamp, doutorando em Educação em Ciências pela Unioeste, professor de Química da UTFPR - câmpus Campo Mourão.


Receba nossas atualizações