• Cassiane Silocchi

ATENÇÂO PRIMÁRIA À SAÚDE: ENTENDA A SUA IMPORTÂNCIA

A situação de saúde de uma população só pode ser modificada com um conjunto de intervenções que vão além da abordagem clínica dos sistemas de saúde. É preciso repensar a estrutura historicamente rígida e hierárquica focada nas especialidades e aproximar-se do usuário em seu contexto comunitário e familiar. A Portaria nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010, reitera a Atenção Primária à Saúde como primeiro nível de atenção e ponto de contato principal do usuário com o sistema de saúde.

Mas o que é esta tal de Atenção Primária à Saúde?


Atenção Primária à Saúde (APS) é definida pelo Ministério da Saúde como: “[...] conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas que envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde, desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e gestão qualificada, realizada com equipe multiprofissional e dirigida à população em território definido, sobre as quais as equipes assumem responsabilidade sanitária.”

As Unidades Básicas de Saúde (UBS) na APS, prestam o maior volume de cuidados de saúde. Quando se analisa o tipo de atendimento por condição de saúde, verifica-se que do total de 28 problemas de saúde mais frequentes, 21 (82%) são condições crônicas e sete são condições agudas (18%). Isso mostra que a demanda na APS é fortemente concentrada em condições crônicas.

Atualmente, a APS desempenha um papel crucial na organização e na coordenação do cuidado para o enfrentamento a COVID-19, que acomete mais severamente as pessoas com condições crônicas. A interação da COVID-19 com o aumento global contínuo de doenças crônicas e fatores de risco relacionados nos últimos 30 anos, incluindo obesidade, alto teor de açúcar no sangue e poluição do ar, criou uma tempestade perfeita, alimentando as mortes por COVID-19. No Brasil, das pessoas que evoluíram a óbito por COVID-19, 70% eram portadoras de condições crônicas.

As evidências apontam que a APS tem capacidade de resolver cerca de 80% das necessidades de saúde da população. Na APS, o sujeito é abordado em sua singularidade, complexidade, integralidade e inserção sociocultural. As experiências mais exitosas em organização de sistemas de saúde, em todo o mundo, demonstraram que a APS deve ser a base organizacional e a coordenadora da rede de atenção à saúde, sendo tendência na Europa, Canadá e América Latina.

Finalmente, vale ressaltar que sistemas nacionais de APS fortes estão associados com a diminuição de desfechos negativos em saúde, como mortalidade prematura e internações por causas sensíveis. Além disso, a APS alcança melhores indicadores de saúde, tem menores custos e maior satisfação dos usuários.


Referências

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.488, de 21 de outubro de 2011. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 21 out 2011.

Brasil. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. A Atenção Primária e as Redes de Atenção à Saúde / Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Brasília: CONASS, 2015.

Harzheim H, D'Avila OP. Ações federais para apoio e fortalecimento local no combate ao COVID-19: a Atenção Primária à Saúde (APS) no assento do condutor. Ciênc. Saúde Coletiva 25 (suppl 1) 05 Jun 2020.

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