• Alef G. C.

A Periferia e a Comunicação em tempos de Pandemia

Margareth Santos

Margareth dos Anjos Santos – Coautora do livro “Negras Crônicas – Escurecendo os Fatos”, lançado em setembro/2019, na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro. Doutoranda em Arte e Cultura Contemporânea, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas, Faculdade de Educação da Baixada Fluminense/ Universidade do Estado do Rio de Janeiro. MBA em Marketing e Pós Graduação em Assessoria e Imprensa, Universidade Estácio de Sá. Graduada em Comunicação Social – Faculdades Integradas Hélio Alonso/RJ. Recebeu em 2010, o Diploma da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.



O Brasil tinha 11,42 milhões de moradores de favelas, palafitas ou outros assentamentos irregulares, de acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, em 2010. O número correspondia a 6% da população, naquele ano. Curiosamente, os dados do Censo anterior, realizado em 2000, apontavam metade da população vivendo nas mesmas condições. O Rio de Janeiro, em 2010, apresentava a maior população do país, vivendo nas periferias. Eram 1.393.314 pessoas nas 763 favelas da cidade. É importante destacar que a maioria destes habitantes é negra.



Para SANTOS (1979) a periferia seria resultado do crescimento do espaço metropolitano, gerado pela ação localizada de um amplo leque de agentes privados e pela ação deficitária do Estado. Esses espaços nasceram desse duplo movimento e caracterizam-se geralmente por uma diminuição nas condições de vida das classes ditas populares.



“Em termos geográficos, a periferia não será definida pela distância física entre um pólo e as zonas tributárias, mas antes em termos de acessibilidade. Esta depende essencialmente da existência de vias de transporte e da possibilidade efetiva de sua utilização pelos indivíduos, com o objetivo de satisfazer necessidades reais ou sentidas como tais. Mas a incapacidade de acesso a bens e serviços é, em si mesma, um dado suficiente para repelir o indivíduo e também, afirma, a uma situação periférica” (SANTOS, Milton, 1979).



A vulnerabilidade desta população fica mais evidente diante de um cenário de crise de saúde mundial, como a que estamos vivenciando. Em tempos de isolamento social causado pela pandemia do coronavírus, o acesso às informações que minimizem os efeitos deste colapso é indispensável.



As estratégias de comunicação traçadas para publicizar os esclarecimentos que facilitem o alcance aos equipamentos de saúde, aos benefícios sociais e aos serviços necessários para a garantir a sobrevivência, em tempos de circulação restrita, devem levar em conta peculiaridades deste público. É imprescindível lembrar que grande parte desta população não teve acesso à educação. De acordo com dados da Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD – Contínua, em 2016/2017, havia 11,5 milhões de analfabetos com idade superior aos 15 anos, no país. De acordo com o quadro abaixo, os pretos e partos representam maioria nessa conjuntura.



Outra grande parcela desta população representa os analfabetos funcionais, o que também, compromete sobremaneira sua capacidade cognitiva. A ausência de uma via de capilaridade social¹ que propicie uma mudança na vida desses indivíduos aliada às condições geográficas e econômicas, na maioria das vezes desfavoráveis, são fatores que corroboram para a perpetuação dessa parcela da população em condições inferiores diante da sociedade.







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