• Rachel Hauser Davis

A importância da Divulgação Científica para as questões ambientais

A Divulgação Científica abre portas para a coletivização do conhecimento científico, que comumente fica restritivo ao meio acadêmico. Quando o processo particular de Divulgação Científica torna mais direta a relação entre fontes e público, dispensando a mediação, potencializa-se com mais facilidade a interação e a qualidade das informações é preservada. Porém, embora pesquisas indiquem que a população brasileira está começando a se conscientizar a respeito da importância de sua participação em relação a questões ambientais, infelizmente ainda se verificam diversas problemáticas quanto à Divulgação Científica no contexto brasileiro.

Algumas das condições-problema para a Divulgação Científica no nosso país incluem deficiências claras de aprendizagem em todas as esferas, tanto em escolas públicas quanto privadas, além do alto nível de analfabetismo funcional e os investimentos não-prioritários na área da educação, cada vez mais críticos. Além disso, algumas das características específicas da população brasileira, como a alta proporção representativa de analfabetismo e a preferência pela informação através de meios visuais e orais, representam desafios extras à Divulgação Científica. Indo além, a maior parte da produção científica, tanto mundial quanto brasileira, é divulgada de forma acadêmica em revistas não adequadas para o público leigo em geral. Assim, a socialização e popularização do saber produzido no país deve ser considerada de forma essencial como uma missão para o cientista brasileiro.

Neste contexto, o cientista brasileiro deve se aproximar da população de forma interessante e lúdica aplicando ferramentas tecnológicas, visuais e dinâmicas para se aproximar da população, para que a mesma compreenda o valor de investimentos em pesquisa, associando os resultados científicos com seu cotidiano e problemáticas diárias que afetam a população e a sociedade de forma integrada. Neste sentido, verifica-se a necessidade de oferecer alternativas para mudanças de comportamento com relação à problemática das questões ambientais. Assim, a Divulgação Científica na Internet dá mais visibilidade à pesquisa e contribui para uma popularização do acesso ao conhecimento científico, e atualmente, é claro que a mídia é responsável por grande parte das informações sobre questões ambientais disponíveis para cidadãos comuns.

Páginas de Instagram e perfis de Facebook são ferramentas valiosas neste aspecto. Com a pandemia de COVID-19, a Divulgação Científica nestes meios se popularizou imensamente, e uma sede de conhecimento acerca de diversas questões ambientais tornou-se muito clara. Alguns exemplos incluem a problemática crítica do aquecimento global e seus consequentes efeitos negativos, a escassez de recursos naturais e os efeitos devastadores do desmatamento e seu potencial de trazer à tona novas pandemias globais, devido à perda de Biodiversidade e aproximação de vetores de doenças às populações humanas. Além disso, questões mais amplas também se tornaram cada vez mais focais neste período, como a necessidade de aplicar os 3 R’s (reduzir, reutilizar e reciclar), a implementação do consumo responsável, a discussão mais intensa de como os plásticos de uso único devem ser evitados, a popularização de ações de limpeza de praias, a valorização de estudos acerca de grupos ameaçados de extinção, e a aplicação cada vez maior da Ciência Cidadã, um movimento de integração entre sociedade e cientistas em prol da pesquisa.

Além da popularização e facilidade de discussão das questões ambientais acima, verifica-se também a necessidade atual de combater as “Fake news” de forma sistemática e contundente, e não há forma melhor de fazer isso de forma leve, popularizando pesquisas formais em um espaço democrático de acesso à informação como as redes sociais, tão populares e acessadas por tantos. Um grande exemplo é a falsa idéia de que “Está frio, o aquecimento global é fake!”. Esta idéia absurda é facilmente combatida com acesso a informações de pesquisas formais, e os dados são facilmente explicados através de textos mais simples, fáceis de ler e dirigidos à população leiga no assunto de forma divertida e simplificada.

Assim, a Divulgação Científica ampla nestes meios de comunicação, além de popularizar as pesquisas formais, torna os esforços de cientistas de informar de forma lúdica e clara um potencial transformador de cidadãos comuns, apenas curiosos, em futuros divulgadores científicos, sejam estes cientistas de formação ou não.


Rachel Ann Hauser-Davis

Bióloga, Mestre e Doutora em Química Analítica

Pesquisadora

Fiocruz

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